ESTRUTURA DOS CAPÍTULOS
Os capítulos foram organizados de maneira a prender o leitor desde as primeiras linhas. Cada capítulo pode ser, facilmente, transformado num episódio de uma minissérie feita para a TV. Nos primeiros é apresentada a história que servirá de fio condutor do livro, sendo mais curtos, sem deixar de ser intensos.

A narrativa, até a metade do livro, é apresentada na forma de flashbacks que explicam ao leitor o porquê das ações atuais, até que passado e presente se unem e o relato passa a enfocar quase que 100% nas operações militares realizadas durante a ocupação da Penha/Alemão e seus desdobramentos.

É usada a primeira pessoa, na figura do tenente Maurício Gavião, que vai contando tudo com os olhos de quem participou in loco destas operações. Apesar de ser uma ficção, o livro é baseado em fatos reais, muitas vezes tendo sido mudados apenas as datas, os postos/graduações dos militares, os nomes de pessoas e dos lugares.

SINOPSE
Poucos dias antes da invasão pelas forças de segurança federais e do governo do Rio de Janeiro do conjunto de favelas que forma os Complexos da Penha e do Alemão, o tenente do Exército Brasileiro, Maurício Gavião, descobre que seu melhor amigo, um jornalista que investigava a origem dos ataques do Comando Vermelho na cidade, caiu refém de bandidos que atuam nesta região.

Gavião decide, então, reunir um grupo de militares experientes para tentar resgatar o amigo. A empreitada é desastrosa e o tenente quase morre ao levar um tiro. No entanto, é nesta ação que algo inusitado acontece e que terá sérias repercussões em sua vida e na de seus companheiros. O tenente Gavião se apaixona por uma das principais líderes do tráfico do Complexo da Penha, uma americana que trabalhava numa das ONGs que atuam na favela e que depois se transforma numa perigosa criminosa.  

A atração proibida entre os dois serve apenas de pano de fundo para uma história cheia de tramas paralelas, que vão se desenvolvendo na medida em que detalhes verdadeiros, nunca antes publicados, da invasão e posterior ocupação dos Complexos da Penha/Alemão são expostos de maneira simples, direta, mas sem deixar de ser interessante e envolvente.

O livro, escrito a quatro mãos por um jornalista com vasta experiência no setor de segurança nacional e internacional e um coronel do Exército Brasileiro que participou como uma das peças-chave da Operação Arcanjo de pacificação do conjunto de favelas mais perigoso do Rio de Janeiro e que coletou dados durante os seis meses em que esteve literalmente vivendo no morro, prende a atenção do leitor do início ao fim.

Escrito como se fora um roteiro de cinema, Comando Verde o surpreenderá pela forma despudorada como apresenta críticas sociais a problemas enraizados no dia a dia brasileiro, sem que você sinta que está sendo exposto às vísceras de uma das operações mais importantes já realizadas pelo Exército Brasileiro, tudo com muito humor e recheado de intrigas, traições e sexo.

TRECHOS
“Os passos foram se aproximando. Eu podia sentir no ar a ansiedade e, por que não, o medo saindo pelos poros daqueles cinco corpos que estavam tentando entender como chegaram àquele ponto. De repente, com uma pezada, a portinhola do barraco foi arrombada e, por incrível que possa parecer, uma voz feminina, com um sotaque estranho, grita: -Tá tudo dominado. Cês vão tudo morrer!”

“-Maurício, você é do Exército. Isso é caso de polícia. O que vai fazer? Invadir o morro sozinho? Encarar bandido carregando AK-47 com sua 45, é isso?”

“A circulação de jovens com armas de todos os tipos, ao ar livre, mostrava com clareza que aquilo ali era terra de ninguém, ou melhor, era ponto forte dos traficantes.”

“Continuando nosso trajeto: vira-latas, gatos, porcos e galinhas vasculhando pilhas de lixo em busca de comida; ruas estreitas, com uma enorme dificuldade para fazer passar uma Land Rover... Mas uma das coisas que mais me incomodaram não estava dentro das favelas, mas sim na parte de baixo, na entrada. As condições de alojamento em que os paraquedistas estavam eram absurdamente horríveis, e olha que o pessoal já estava lá fazia mais de dois meses! Era um quadro desolador que me esperava dali a dois dias e que me fez duvidar de minha opção de me voluntariar para entrar naquela roubada, mas homem apaixonado faz cada cagada de que até Deus duvida...”

“O Novo Testamento fala muito em anjos trazendo mensagens. Quem veio com essa história de chamar de Operação Arcanjo deve ter pensado na mensagem que os militares iam levar para os traficantes: ‘se foderam!”’.

“- Tenente, neste próximo vídeo o senhor pode confirmar que a força adversa presente na Área de Pacificação está constituída de integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. A maior parte desses integrantes é de homens jovens, na faixa etária de quinze a trinta e cinco anos.”

“A execução consiste em infiltrações aos poucos e sem levantar suspeitas, se valendo de deslocamentos das viaturas, e reunir ‘as formigas’, que são os militares, no local considerado o ‘formigueiro’ da vez. A entrada de pessoal é feita em diversas levas durante o dia, a fim de não levantar suspeitas.”

“Escutou-se um pequeno gemido. Senti uma espécie de alívio. A menina ainda estava viva e, talvez, pudesse ser salva. Aproximei-me dela com cuidado e lentamente retirei o cabo de vassoura. Ela urrou e depois pareceu desmaiar de dor. Fui virando seu rosto e o corpo ao mesmo tempo. Foi aí que tive um choque ainda maior.”

“Outros começaram a atirar o que encontravam em nossa direção: balanças, papéis, cocaína, maconha, canetas, copos, água. Tudo. Os que estavam no chão se levantaram e começaram a partir para cima de nós.”

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